CARTA ABERTA ENVIADA PELO GRUPO INTERAÇÕES - UNESP BOTUCATU
Após o ocorrido na festa do dia 16/11, manifestamos nosso repúdio aos atos homofóbicos de várias formas, uma delas foi levando uma mensagem do que esperamos da sociedade. Em outra festa, no dia 18/11, usamos plaquinhas penduradas no pescoço, cada uma com um dizer: Amor, Liberdade, Igualdade, Direitos Humanos, Respeito e Paz. Claro que a aceitação não foi total, pois fomos discriminados novamente, e questionados quanto à invasão do espaço dos demais presentes na festa (??!!), e chegamos a ouvir a seguinte declaração: “a palavra respeito não significa nada para mim” (!!).
Para nossa surpresa, no dia 20/11, em outra festa, os mesmos agressores carregavam plaquinhas com os seguintes dizeres: “eu adoro cacete” e “eu preciso de um companheiro”. Mostrando que a homofobia está mais do que presente em nossa universidade, pois as plaquinhas possuem uma clara demonstração pejorativa a respeito da orientação homossexual (por exemplo, se as plaquinhas se referissem às mulheres, seria uma clara demonstração de machismo). E mostrando ainda, que nossa mensagem não foi propriamente entendida.
A intenção não era provocar ninguém, portanto obter uma manifestação em “resposta” não era nosso objetivo. Sabemos que começamos um processo, e não uma guerra. A transformação não vai ser fácil, pois construir o conceito de respeito em alguém, não é algo tão simples, mas estaremos aqui, fazendo o possível pela igualdade entre tod@s! Mesmo que seja preciso escrever um relato por dia, não deixaremos nenhuma forma de discriminação passar despercebida, é hora de dar um basta a tudo isso!
Grupo Interações – UNESP Botucatu
“E se tudo isso que você acha nojento for exatamente o que chamam de amor?” Caio Fernando de Abreu
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
O Abajur
Apenas a luz amarelada do abajur iluminava a beirada da cama. Ainda havia a luz do sol lá fora, mas ele fechou a porta da varanda e cobriu com a cortina azul-marinho. Desde que chegou não disse nada, nem um cumprimento sequer, jogou as pastas do trabalho sobre o sofá e foi direto ao encontro da mulher. Ela estranhou o comportamento dele. Achou melhor sentar na beirada da cama como pedido e esperar sem fazer qualquer pergunta. Desde os primeiros dias, quando passaram a morar juntos, algo estava diferente. Ela pensou que seria algo passageiro e foi cedendo, agora não sabia mais agir de outra forma.
O abajur acendeu sozinho. Isso sempre acontecia por causa do interruptor sensível e defeituoso que ficava encostado na cama. Vários dias ela acordou assustada com aquela luz sobre seu rosto. Desde menina só pegava no sono quando tudo se perdia na mais vasta escuridão, odiava dormir com a porta aberta e a luz do corredor acesa, foram anos até que sua irmã caçula se acostumasse com seu modo. Nisso ela fez questão de nunca ceder.
Ele deitou-se com cuidado e se aproximou das suas pernas, que estavam nuas até uns quatro dedos acima do joelho, ajeitou sua cabeça entre as duas coxas que eram como pequenas almofadas quentes. Recebeu carinho sobre o rosto áspero carregado da barba por fazer e quando abriu os olhos sentiu as primeiras lágrimas escorrerem, mornas, até umedecer o tecido daquelas almofadas. Preciso falar com você. Quero explicar tudo e quero que você só fale quando eu terminar. Ela sentiu uma sensação terrível, como se pequenos cristais de gelo começassem a ser bombeados pelo coração a todos os membros do seu corpo, porém fez sinal com a cabeça de que concordava com a proposta do companheiro.
— Eu não sei o que aconteceu. Quer dizer. Eu sei o que foi, mas não entendo o porquê – fechou os olhos por alguns segundo e continuou – Nossa relação é perfeita, eu não posso reclamar de você. Sempre esteve ao meu lado, me incentivou em meus projetos, se interessa pelas minhas coisas, diz que me ama com freqüência, nunca se recusou a me ouvir, como agora. Estava tudo perfeito, talvez até perfeito demais para alguém como eu. O fato é que comecei a duvidar de que eu sou capaz de receber tanto carinho, tanta dedicação...
— Você é! Perdão.
— Não sou. Já tenho a certeza. Apesar de tudo o que você me dá, eu quis mais. Deixei que meu egoísmo tomasse conta de mim e me permiti esquecer você. Mesmo te vendo, te tocando e dormindo ao seu lado me esqueci de você. Por isso, pude voltar a ser incompleto e a procurar o que faltava. Achei. Infelizmente.
Estava imersa em lembranças. Ela já havia entendido desde o inicio. Na verdade, pensava que sabia de tudo desde a noite anterior, quando sonhou que ele estava perdido em um lugar desconhecido pedindo ajuda ao céu e à terra sem poder vê-la. Ela sem poder aproximar-se. Algo a prendia, mas não eram correntes ou grades, parecia ser algo que carregava, penosamente, dentro de si. Sonhou por toda noite o mesmo sonho. Que horror! Era o que dizia a si mesmo quando levantou de manhã e foi até o espelho do banheiro lavar o rosto, enquanto ouvia o portão da garagem abrindo e a porta do carro fechando. Quer que eu pare? A pergunta fez com que ela voltasse ao quarto iluminado apenas pelo velho abajur. Fez que não com a cabeça.
— Reencontrei uma amiga dos tempos da faculdade, na época servíamos de confessionário um para o outro. Resolvi dizer o que estava acontecendo comigo. Ela foi compreensiva, se dispôs a me ajudar. Eu retribuía, ouvindo sobre seus conflitos e decepções recentes que tivera num breve casamento – nem chegaram a se casar, na verdade só juntaram os trapos, como nós – será que nos casamos sem perceber? Nos tornamos cúmplices. Qualquer problema que me atormentasse era ela quem eu procurava e vice-versa. Eu realmente achava que tinha me esquecido de você, não me lembrava.
Nossos encontros foram se tornando mais freqüentes e intensos. Nos sentíamos como dois renegados, dois incompreendidos que só compreendiam um ao outro. Era uma linda amizade, que acabou se tornando um erro. Um dia eu estava me sentindo ótimo. Minhas dúvidas pareciam estar desaparecendo, minhas preocupações diminuindo. A nuvem que pairava sobre você se dissipava. Ela me procurou para dizer que tinha ido atrás do ex e que ele, simplesmente, a ignorou. O ex já a esqueceu, não como eu havia feito com você. Essa constatação acabou com ela, a derrubou. Fiz de tudo para consolar através da conversa e da aproximação. A crise só terminou quando a razão abandonou nossos corpos ao livre arbítrio da alma. Naquele momento um vento traiçoeiro soprou a nuvem de volta ao seu território. Depois de irmos embora acho que a ficha caiu. Você voltou. Eu voltei. Não consigo mais parar de pensar em ti. De querer vir para ficar junto com você. Já faz dois meses...
— Que não transamos – ela interrompeu com calma, mas sem pedir perdão.
— Eu não consigo. Penso em você a todo instante, mas quando te vejo a consciência me proibi de continuar te enganando. Por isso estou sendo tão sincero, estou te dizendo tudo isso porque quero ser feliz novamente contigo. Eu só fui feliz com você. Me entende?
— Entendo – respondeu secando as lágrimas que caiam dos seus olhos e dos dele com as pontas dos dedos – Mas agora eu preciso de um novo abajur.
O abajur acendeu sozinho. Isso sempre acontecia por causa do interruptor sensível e defeituoso que ficava encostado na cama. Vários dias ela acordou assustada com aquela luz sobre seu rosto. Desde menina só pegava no sono quando tudo se perdia na mais vasta escuridão, odiava dormir com a porta aberta e a luz do corredor acesa, foram anos até que sua irmã caçula se acostumasse com seu modo. Nisso ela fez questão de nunca ceder.
Ele deitou-se com cuidado e se aproximou das suas pernas, que estavam nuas até uns quatro dedos acima do joelho, ajeitou sua cabeça entre as duas coxas que eram como pequenas almofadas quentes. Recebeu carinho sobre o rosto áspero carregado da barba por fazer e quando abriu os olhos sentiu as primeiras lágrimas escorrerem, mornas, até umedecer o tecido daquelas almofadas. Preciso falar com você. Quero explicar tudo e quero que você só fale quando eu terminar. Ela sentiu uma sensação terrível, como se pequenos cristais de gelo começassem a ser bombeados pelo coração a todos os membros do seu corpo, porém fez sinal com a cabeça de que concordava com a proposta do companheiro.
— Eu não sei o que aconteceu. Quer dizer. Eu sei o que foi, mas não entendo o porquê – fechou os olhos por alguns segundo e continuou – Nossa relação é perfeita, eu não posso reclamar de você. Sempre esteve ao meu lado, me incentivou em meus projetos, se interessa pelas minhas coisas, diz que me ama com freqüência, nunca se recusou a me ouvir, como agora. Estava tudo perfeito, talvez até perfeito demais para alguém como eu. O fato é que comecei a duvidar de que eu sou capaz de receber tanto carinho, tanta dedicação...
— Você é! Perdão.
— Não sou. Já tenho a certeza. Apesar de tudo o que você me dá, eu quis mais. Deixei que meu egoísmo tomasse conta de mim e me permiti esquecer você. Mesmo te vendo, te tocando e dormindo ao seu lado me esqueci de você. Por isso, pude voltar a ser incompleto e a procurar o que faltava. Achei. Infelizmente.
Estava imersa em lembranças. Ela já havia entendido desde o inicio. Na verdade, pensava que sabia de tudo desde a noite anterior, quando sonhou que ele estava perdido em um lugar desconhecido pedindo ajuda ao céu e à terra sem poder vê-la. Ela sem poder aproximar-se. Algo a prendia, mas não eram correntes ou grades, parecia ser algo que carregava, penosamente, dentro de si. Sonhou por toda noite o mesmo sonho. Que horror! Era o que dizia a si mesmo quando levantou de manhã e foi até o espelho do banheiro lavar o rosto, enquanto ouvia o portão da garagem abrindo e a porta do carro fechando. Quer que eu pare? A pergunta fez com que ela voltasse ao quarto iluminado apenas pelo velho abajur. Fez que não com a cabeça.
— Reencontrei uma amiga dos tempos da faculdade, na época servíamos de confessionário um para o outro. Resolvi dizer o que estava acontecendo comigo. Ela foi compreensiva, se dispôs a me ajudar. Eu retribuía, ouvindo sobre seus conflitos e decepções recentes que tivera num breve casamento – nem chegaram a se casar, na verdade só juntaram os trapos, como nós – será que nos casamos sem perceber? Nos tornamos cúmplices. Qualquer problema que me atormentasse era ela quem eu procurava e vice-versa. Eu realmente achava que tinha me esquecido de você, não me lembrava.
Nossos encontros foram se tornando mais freqüentes e intensos. Nos sentíamos como dois renegados, dois incompreendidos que só compreendiam um ao outro. Era uma linda amizade, que acabou se tornando um erro. Um dia eu estava me sentindo ótimo. Minhas dúvidas pareciam estar desaparecendo, minhas preocupações diminuindo. A nuvem que pairava sobre você se dissipava. Ela me procurou para dizer que tinha ido atrás do ex e que ele, simplesmente, a ignorou. O ex já a esqueceu, não como eu havia feito com você. Essa constatação acabou com ela, a derrubou. Fiz de tudo para consolar através da conversa e da aproximação. A crise só terminou quando a razão abandonou nossos corpos ao livre arbítrio da alma. Naquele momento um vento traiçoeiro soprou a nuvem de volta ao seu território. Depois de irmos embora acho que a ficha caiu. Você voltou. Eu voltei. Não consigo mais parar de pensar em ti. De querer vir para ficar junto com você. Já faz dois meses...
— Que não transamos – ela interrompeu com calma, mas sem pedir perdão.
— Eu não consigo. Penso em você a todo instante, mas quando te vejo a consciência me proibi de continuar te enganando. Por isso estou sendo tão sincero, estou te dizendo tudo isso porque quero ser feliz novamente contigo. Eu só fui feliz com você. Me entende?
— Entendo – respondeu secando as lágrimas que caiam dos seus olhos e dos dele com as pontas dos dedos – Mas agora eu preciso de um novo abajur.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Não sou guru, nem mestre, nem sábio, nem pai, nem namorado
Não sou super, nem 10, nem pau-pra-toda-obra
Não sou senhor da razão, nem das horas
Sou apenas humano e me permito um pouco de arrogância, bondade, ignorância, intuição, bondade, maldade, frustração, felicidade, tristeza, gemidos de prazer e de raiva, preguiça, coragem, indiferença e falsidade. Sou sincero somente pela metade. Sou um ser que é humano
Não sou super, nem 10, nem pau-pra-toda-obra
Não sou senhor da razão, nem das horas
Sou apenas humano e me permito um pouco de arrogância, bondade, ignorância, intuição, bondade, maldade, frustração, felicidade, tristeza, gemidos de prazer e de raiva, preguiça, coragem, indiferença e falsidade. Sou sincero somente pela metade. Sou um ser que é humano
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Comunicação XXI ou XY
Ela disse: Como assim? Não entendi o que você quis dizer.
É que meu sinal está falhando, tô passando numa baixada, só dá pra te ouvir como se estivesse bem longe, bem baixinho, daqui a pouco volta ao normal, quando chegar numa subida - ele respondeu.
Do que você está falando? Eu estou do seu lado.
É que meu sinal está falhando, tô passando numa baixada, só dá pra te ouvir como se estivesse bem longe, bem baixinho, daqui a pouco volta ao normal, quando chegar numa subida - ele respondeu.
Do que você está falando? Eu estou do seu lado.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Agenda
Não tenho agendas de papel
Costumo fazer a minha na memória
O problema é que às vezes me esqueço,
e também essa é a solução.
São tantas coisas, tantas datas,
tantas pessoas, tanto tempo.
Precisava de uma brecha
Pra marcar o meu próprio encontro.
Costumo fazer a minha na memória
O problema é que às vezes me esqueço,
e também essa é a solução.
São tantas coisas, tantas datas,
tantas pessoas, tanto tempo.
Precisava de uma brecha
Pra marcar o meu próprio encontro.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
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